quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Diario: Lisboa 20:35 da noite dia 16/11/2001

O meu avião acaba de chegar ao aeroporto.
Numa noite fria de inverno, olho pela janela e vejo uma cidade toda iluminada, tão  linda e ao mesmo tempo tão confusa e desconhecida..
Hoje começa uma nova história na minha vida, nem bem cheguei e já tenho imensas saudades da minha família e dos meus amigos, porém estou muito feliz porque vou estar com a minha mãe!
Matar a saudade de quem amamos é a melhor coisa do mundo.
Bem,  já estou a caminho do hotel, é engraçado dizer isso mas...é a primeira vez que ando te taxí (risos)!
Portugal é tão diferente, as casas, as ruas, os carros etc..O hotel onde estou, então nem se fala, que beautifull!
É estranho porque tem um ar de velho e, ao mesmo tempo, tão requintado!
Enfim, sinto-me feliz.. Amanhã será um novo dia e já vou para a escola, tantas ideias passam pela minha cabeça, espero que corra tudo bem!


                                                                                                                       Emanuele Abreu  1º AL





quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Diário: São Paulo 18 de Agosto de 2002

Todo mundo um dia ja fez ou pensou fazer alguma loucura. Hoje é o dia em que eu resolvi cometer a minha.
Decidi fugir de casa. Motivos? - Ah esses é que não faltam, mas também não é necessario pô-los aqui.
Vou parti com a minha amiga que também vive comigo.Ela é mais velha do que eu, tem 14 anos e é irmã da minha madrinha.
Pela manhã bem cedo saí do quarto para ir à casa de banho e quando volto dou de cara com minha madrinha. O coração disparou,mas para a minha surpresa ela não disse nada, apenas disse para eu voltar para a cama. Afinal era cedo!
Voltei para o quarto e fiquei quietinha à espera que ela adormecesse novamente.
Logo após, saí novamente até à casa de banho, precisava de alguma forma de procurar um disfarce. Então resolvi corta o cabelo!Sinceramente às vezes fazemos coisas irreais...
Então partimos.Hoje choveu muito e nem sequer tínhamos dinheiro. Passámos a manhã assustadas pelas ruas de São Paulo, uma cidade grande cheias de surpresas!
Comecei a sentir medo, insegurança, a minha cabeça girava, que situação!Resolvemos ligar para o nosso vizinho na esperança de que ele nos ajudasse.Afinal estávamos perto de casa e, num instante cercaram-nos,a minha madrinha veio de um lado e meu padrinho veio do outro...Foi o fim de uma tentativa frustrada de fugir de casa!
Seguimos então, para a polícia porque a minha madrinha precisava dizer que já tìnhamos sido encontradas.
Por fim voltámos para casa. Ainda fui humilhada em frente da casa pela minha madrinha que fez questão de mostrar para toda a vizinhança o que eu tinha feito ao cabelo!
Meu dia acabou,de castigo com fome e no meio do corredor..Queria nunca ter existido esse dia!


terça-feira, 9 de novembro de 2010

Diário: 19 de Dezembro de 2000

Hoje cheguei finalmente a Portugal. A viagem começou na cidade Donetsk, na Ucrânia. O nosso ponto de encontro era ao lado da agência que organizou esse percurso; e ficámos oito horas à espera das outras pessoas. Depois, quando chegaram, nós arrancamos de autocarro. No caminho tivemos muitas paragens porque algumas pessoas ficaram na Bulgária e outras na Grécia. Nós, eu e a minha colega que me acompanhou, também ficamos na Grécia. Na Grécia devíamos ter apanhado outro autocarro mas houve uma confusão com agência de viagens porque eles não sabiam que nós íamos para Portugal. A colega que ia comigo telefonou para minha mãe e explicou a situação. A minha mãe, não sei como, telefonou para a agência, na Ucrânia, e a situação começou a resolver-se. Ficámos num hotel à espera de outro autocarro durante uma semana.

Até que a mãe telefonou e disse que afinal vamos de avião porque a agência não tinha mais autocarros para Portugal. Apareceu um homem da agência que nos acompanhou ao aeroporto e assim ficámos livres do stress que tivemos durante estes últimos dias. :) . Esse homem era uma pessoa muito simpática que nos acompanhou e explicou o que deveríamos fazer quando aterrássemos em Espanha para fazer escala.

Assim que chegámos a Espanha, foi engraçado, por que vi uma menina com calções de verão e t-shirt mas na rua estava nublado.

Chegámos finalmente a Lisboa, a minha mãe estava à nossa espera no aeroporto e estou finalmente em casa. A partir de agora vai ser uma aventura porque não conheço os hábitos nem a língua.



Roman Marchev, 1ºBE EFA SEC

Diário: Cabo Verde, 27 de Setembro de 2001

Hoje é um dia especial

Hoje é dia de festa, eu quero ir mas parece impossível porque o meu avô obrigou-me a ir aà missa. Como eu não queria ir à missa combinei com os meus amigos e fui para a festa sem o avô saber. Estava lá a divertir-me com os meus amigos, até que apareceu um senhor que na verdade era amigo do meu avô e me conhecia mas eu não o conhecia a ele que disse: «Vá lá comprar-me uma bebida» e eu respondi: «Está bem». Fui lá mas só que em vez de bebida meti água na garrafa e levei-a ao senhor. A festa terminou e fui para casa, o meu avô me perguntou: «então foste para missa?» e eu respondi: «Sim, fui». Ele perguntou de novo: «Então porquê que o senhor Domingos me disse que te viu na festa e até lhe puseste água na garrafa em vez de bebida?» e eu respondi: «Mas eu não conhecia o senhor...».Então Ele disse: «A partir de agora não vais escapar de ir à missa, porque passas a ir à missa no meu bolso».
Edmilson Carvalho 1ºBE









DIÁRIO: Lisboa, 23 de Dezembro de 1972

Eu quando tinha 14 anos venho para Lisboa para trabalhar na primeira vez o trabalho que é da parte de canalização e soldadores etc. Em 1972


E no dia 23 Dezembro quando venho do Carregado passamos por vários sítios onde os meus colegas trabalhavam, para irmos á festa do natal do pessoal, e quando fomos a um sitio que era a morgue que eu não sabia o que era, pensava era um hospital, mas quando cheguei ao local onde encontrei dois corpos em cima da pedra mármore, o meu colega mandou entrar quando eu dei os quantos passos vire-me para direita o corpo todo aberto com os órgãos de fora, foi que senti ir abaixo como estivesse a desmaiar quando o patrão demo uma palmada no pescoço e puxo-me para trás.

E assim fomos para a festa do natal.



José Sousa 23 Dezembro 1972    1ºBE

Diário: 19 de Dezembro de 2000

Hoje cheguei finalmente a Portugal. A viagem começou na cidade de Donetsk, na Ucrânia. O nosso ponto de encontro era ao lado da agência que organizou esse percurso onde ficámos oito horas à espera das outras pessoas. Depois, quando chegaram, nós arrancamos de autocarro. No caminho tivemos muitas paragens porque algumas pessoas ficaram na Bulgária e outras na Grécia. Nós, eu e a minha colega que me acompanhou, também ficámos na Grécia. Na Grécia devíamos ter apanhado outro autocarro mas houve uma confusão com a agência de viagens porque eles não sabiam que nós íamos para Portugal. A colega que ia comigo telefonou para minha mãe e explicou a situação. A minha mãe, não sei como, telefonou para a agência, na Ucrânia, e a situação começou a resolver-se. Ficámos num hotel à espera de outro autocarro durante uma semana.


Até que a mãe telefonou e disse que afinal vamos de avião porque a agência não tinha mais autocarros para Portugal. Apareceu um homem da agência que nos acompanhou ao aeroporto e assim ficámos livres do stress que tivemos durante estes últimos dias. :) . Esse homem era uma pessoa muito simpática que nos acompanhou e explicou o que deveríamos fazer quando aterrássemos em Espanha para fazer escala.

Assim que chegámos a Espanha, foi engraçado, por que vi uma menina com calções de verão e t-shirt mas na rua estava nublado.

Chegámos finalmente a Lisboa, a minha mãe estava à nossa espera no aeroporto e estou finalmente em casa. A partir de agora vai ser uma aventura porque não conheço os hábitos nem a língua.



Roman Marchev, nº 19 1ºBE

Diário: Pinheiro de Loures, 10 Agosto 1996

Hoje fui andar de carrinho de rolamentos com o Fábio, o “cientista”, o Artur e mais alguns amigos. Ao descer a rampa do Bairro Vitória bati no carrinho do Artur e fui de rojo pelo alcatrão, fiquei com a minha perna em ferida de alto abaixo. Mas não me queixei, nem posso, a avó Maria não pode saber! Quando cheguei a casa da avó Maria, passei a tarde toda ao pé do barracão sentado no muro. A avó perguntou-me várias vezes porque é que eu estava quietinho ali ao canto, mas não lhe quis contar porque tive medo que a avó ficasse chateada comigo, além do mais eu também já tinha desinfectado a ferida em casa do Benjamim, mesmo ao lado da rampa.
Quando cheguei a casa e a mãe me mandou ir tomar banho, viu o que eu tinha na perna. Contei-lhe o que se tinha passado e ela explicou-me que não tinha que ter vergonha ou medo de mostrar à avó, assim ela podia ter tratado melhor da minha ferida. Sinceramente nem sei porque reagi assim, realmente não havia motivos e teria sido bem melhor, agora durante o próximo mês vou ter que ir ao Centro de Saúde todos os dias de manhã para trocar o curativo que me fizeram na perna.

Rodrigo Mateus Franco, 1ºBE



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24 de dezembro de 1979,um dia especial.

Hoje estive em casa dos meus pais a passar mais um Natal em família.Como é hábito estive sempre à espera de ver os presentes de Natal. Esperei até ao fim da noite e... nem o meu pai nem os presentes! O que é que se estava a passar? Fiquei aborrecido e fui-me deitar. Na manhã seguinte acordei com barulho fui ver o que era, vesti o meu robe às riscas que detestava mas nunca disse nada a ninguém pois parecia mal. Dirigi-me para a sala e abri a porta,  liguei luzes e.... quando olho para a árvore de Natal vejo, ao lado, um teclado de piano e uma bateria pequena com o meu nome. Fiquei todo contente! Comecei logo a experimentar e, passado um bocado,  já tocava umas coisitas. Foi a minha primeira experiência musical. Na bateria aprendi o primeiro ritmo que parecia o passar da banda da carris. Foi o melhor Natal de todos.


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Tiago Raquel 1 BC


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

DIÁRIO: Serra da ESTRELA, 30 de Agosto de 2009


                     Diário: Serra da Estrela, 30 de Agosto de 2009



Nesta tarde de verão o céu está lindo e azul e eu estou eufórica com as minhas amigas Solange, Wilsinia e Rute. Estamos cheias de energia porque vamos comemorar o meu aniversário, pois hoje faço 29 anos. Estou muito contente e feliz de poder conviver com elas neste dia tão importante da minha vida. Chegámos aqui à Serra quando eram 11h da manhã. Nem demos conta que a hora do almoço já se tinha passado pois a diversão era tão grande, a alegria de estarmos umas com as outras era tanta que nos tirou a fome. Isto porque nenhuma de nós tinha cá estado antes, para mim e para elas é tudo novo e inédito. Andámos em várias lojas e quitandas para apreciamos o artesanato, assim como variedades de doces, queijos, pão….Fomos almoçar às 17h da tarde! Aproveitámos cada minuto do tempo. A seguir ao almoço fomos à Torre mas, por ser verão não vimos neve em quantidade, mas não ficamos desoladas por isso. Resolvemos ir a um museu do pão. Foi um dia bem passado.




                                                                               


   Ineidy Bragança Lima  1º BC   2010/2011

Diário:Lisboa,09 de Janeiro de 2002

 Hoje é quarta-feira, mais um dia que a minha mãe continua internada no hospital devido às complicações com a gravidez da minha irmã. Antes de ir para a escola passei no hospital para ver como é que a minha mãe está, muito desanimada porque os médicos estão a tentar aguentar a bébé na barriga porque se ela nascesse agora poderia não sobreviver.
 Fui para a escola e às 17h34, estava eu na aula de inglês, e ligou-me o meu pai a dizer que a minha irmã já tinha nascido mas que era muito pequena. Quando fui ao hospital para ver a minha irmã, foi um momento único e muito mágico, ela é linda!É impressionante!!! Ela pesa 1,490kg e mede 32cm, cabe na palma da minha mão.Uma das primeiras coisas que fiz quando lá cheguei foi contar-lhe os dedos das mãos e dos pés.
 Mas ainda houve algumas complicações. Durante o nascimento os médicos tentaram que a minha irmã nascesse de parto normal mas o coração dela começou a falhar e tiveram que fazer uma cesariana.
 Agora o que mais quero é que a minha mãe e a minha irmã venham para casa,o mais rápido.



                                                                                                   Rute 1ºBC

domingo, 7 de novembro de 2010

Diário: S.Tomé, 1 de Setembro 1985

Hoje é o meu primeiro dia de aulas do 5º ano na Escola Preparatória Patrício Lumumba na cidade de S.Tomé.
Até agora na minha aldeia andei sempre descalça e ia para a escola assim, mas com esta mudança, tenho de ter uma melhor apresentação por isso estou com uma roupa melhor e tenho sapatos. Estou envergonhada por estar calçada porque não estou habituada.
Os sapatos incomodam.
Levo os materiais escolares num saco plástico e sinto-me superior porque os outros não os têm.
Achei a escola grande e gira.
Aí tive que lidar com vários professores, disciplinas diferentes, etc.
Com a simpatia dos professores e dos colegas estou a adaptar-me muito depressa à escola e também ao novo ambiente.

Marisa 1º AL  

sábado, 6 de novembro de 2010

Diário: Lisboa 30 Novembro 1988

Hoje foi o meu segundo dia de trabalho. Quando me levantei de manhã ainda estava mais aterrorizado do que ontem, pois o meu patrão mandou-me ir ter a outra obra. Ontem tive muita sorte porque fui apresentar-me ao trabalho na mesma obra onde andava o meu o pai.

Mas pronto, tinha que ser. O meu pai levou-me ao comboio onde estava o meu colega à minha espera. Apanhámos o comboio para Mem Martins. Foi a primeira vez que andei de comboio.

A obra era num talho que está a ser remodelado, não é muito grande mas temos lá muito trabalho. Tudo aquilo me faz muita confusão, alicates, fios, ligadores, tanto material e ferramentas que eu nunca tinha ouvido falar. Mas ao mesmo tempo tudo aquilo me fascinou ao ver a instalação tomar forma e no fim ver como funcionava, apesar de não perceber ainda o que foi feito.

Quando foi altura de voltar para casa fomos outra vez de comboio eu e o meu colega. Estávamos a tirar o meu bilhete porque ainda não tenho o passe social, quando o comboio chegou à plataforma o colega desatou a correr para apanhar o comboio e eu atrapalhado a receber o troco fiquei para trás. Quando cheguei à plataforma já o comboio estava em andamento, as portas ainda estavam abertas e ainda consegui saltar lá para de dentro, mesmo quando o comboio estava chegar ao fim da estação. Já lá dentro e sentado o meu colega gozou comigo, e eu só conseguia pensar no que seria de mim se tivesse perdido o comboio. Mas a aventura ainda não tinha acabado porque quando cheguei ao local onde tinha combinado esperar pelo meu pai, ele ainda não estava lá e tive de esperar mais de uma hora. Aí é que fiquei mesmo em pânico porque já pensava que me tinha enganado no sitio e que agora é que estava mesmo perdido. Ali sozinho, pensava no que iria fazer, sem conhecer ninguém nem o sítio onde estava. Só via carros e prédios à minha volta, eu que só costumava ver pinheiros e só via carros muito raramente. Finalmente, ao fim de uma hora, lá apareceu ele, também já preocupado porque se tinha atrasado.

Agora que estou para ir dormir já estou mais calmo. Amanhã será outro dia.



José Carlos Mateus – 1º BE

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

EU e os Media

A primeira vez que ouvi rádio estava em Luanda, em casa.

Eu tinha 6 ou7 anos. Era um aparelho preto, ligado à electricidade, que estava na sala. Nessa altura ouvia o Jornal da Uma e antes do jornal havia a transmissão de um momento religioso que eu gostava muito.

Também ouvia música africana. A rádio estava ligada porque o meu pai trabalhava em casa e gostava de estar acompanhado com a rádio .

Mais tarde veio a febre das novelas nas televisões, telenovelas brasileiras como Sinha Moça e  Roque Santeiro. Também gostava dos Jogos sem Fronteiras e programas desportivos, como ginástica e patinagem artística.

Há 16 anos que estou em Portugal e a televisão continua a ser a minha companhia, gosto de debates televisivos e programas tipo fórum em que o publico participa,  mas nunca tive coragem de ligar.

Tenho um hábito, quando chego a casa à noite depois da escola, tenho de ver as notícias na SicNoticias e ver os destaques dos jornais do dia seguinte só depois é que vou dormir.

A primeira coisa que faço quando acordo é ligar a televisão no Canal um para o programa de manhã. Há uma rubrica que não posso perder: bom português» onde todos os dias escolhem uma palavras difícil e perguntam as pessoas como se escreve.

Esta semana, ia de carro com o meu marido e na rádio perguntaram: "Infeliz é uma palavra formada por prefixação ou sufixação?" e eu, antes de ele dar a resposta,  já sabia que era derivada por sufixação porque tinha aprendido na escola. Fiquei muito feliz por saber a resposta.

Em resumo, os Media estão muito presente na minha vida não passo um dia sem estar ligado ao mundo da comunicação.
Inês joaquim vunge 2ºBC

EU E OS MEDIA

A minha relação com os Media é muito especial.
Quando era pequena e vivia com os meus pais em Cabo Verde, não havia electricidade. As informações chegavam-nos através de jornais, revistas, e nas aulas com professores. Quando ouvi notícias através da rádio pela primeira vez tinha eu seis ou sete anos de idade. Foi através de um aparelho que o meu pai levou de Portugal e, mesmo assim, com fraca qualidade porque era a pilhas e não podia estar ligado durante muito tempo. Mais tarde imigrei para Portugal e tudo mudou. Passei a ouvir rádio com frequência, a ver televisão todos os dias e até consulto a internet a partir do momento em que vim para a escola.
Eu, aqui em Portugal tenho estas facilidades mas os meus familiares que continuam em Cabo Verde continuam com dificuldade em comunicar comigo por falta de infra-estruturas. Não há rede para falar ao telemóvel e mesmo as comunicações por telefone fixo não são suficientes. Por isso ainda comunicamos por carta. No entanto tudo está a mudar e as comunicações em Cabo Verde estão a melhorar.
No meu dia-a-dia preciso um pouco de tudo. Não consigo deixar de usar telemóveis, televisão, internet e rádio.

Andradina Nunes Pereira 2BC

Diário: Pinheiro de Loures, 25 de Abril de 1974

Hoje de manhã cedo tomei o pequeno almoço e fui para a escola enquanto a minha mãe foi trabalhar para casa da D. Natália. elas fazem uns vestidos tão bonitos!
Na escola estávamos todos numa festa animada à espera das professoras, tocou para a entrada, poucos minutos depois apareceu a sra. contínua à porta da sala e disse:
- As meninas da 4ª classe hoje não têm aulas, houve uma revolução e a sra. professora foi chamada para o serviço de urgências do hospital, por isso, podem ir para casa.
A mãe da Inês chamou alguns de nós e touxe-nos para casa. A nossa curiosidade era tanta que não parávamos de bombardear a pobre senhora com perguntas, e então ela disse-nos:
- Sabem, hoje houve uma revolução, é um acontecimento muito importante para todos nós, como a vossa professora também é enfermeira,ela teve que ir ajudar no hospital.
Fui ter então, com a minha mãe a casa da D. Natália. Ao chegar, toda satisfeita por não ter aulas, perguntei o que era uma revolução mas, a minha mãe disse-me para ir brincar que em casa falávamos. À tarde fomos ás compras e ouvi as pessoas falarem do assunto mas, confesso que não percebi nada do que falavam.
Ao jantar as dúvidas continuam, os meus pais falam entre dentes, ouvem as notícias com muita atenção e nada me dizem. Antes de vir para a cama questionei novamente a minha mãe sobre o assunto, e ela respondeu-me com muito carinho:
- Deixa lá filha, vai dormir, quando fores maior vais perceber tudo isto.
Com nove anos não sou suficientemente grande? As frases que hoje ouvi não fazem sentido para mim, não consigo perceber nada! A confusão na minha cabeça é tanta que o melhor mesmo é eu ir dormir, pode ser que algum dia eu perceba tudo isto.

Paula Ferreira - 1AL

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Diário: Loures 15 Setembro 1972

Hoje foi um dia diferente de todos os outros porque ao levantar-me tive uma sensação estranha de que algo me ia acontecer, não sabendo bem o quê. As férias estão a acabar e é preciso aproveitar, por isso estive a jogar futebol com os meus amigos, num pequeno terreno que era o nosso campo. O dia esteve cinzento, não se vislumbrou o sol e havia muitas nuvens, parecia que ia chover. Jogámos uma grande partida de bola com muita luta, suor e discussão mas acabou tudo bem. No caminho para casa, parámos ao pé de um poste de electricidade alto em cimento, encostado a um muro também muito alto. O poste tinha vários furos que servem para subir mas a nossa ideia não foi subir, mas sim atirar pedras para ver quem conseguia passar pelo furo por nós determinado. Ao fim de várias tentativas ninguém conseguia aquela grande proeza mas ao olhar para o chão reparo numa pedra redondinha e digo para os meus colegas: “Olha esta batatinha, querem ver!? ”, atirei-a e passou pelo furo. Foi uma festa, senti-me um herói, os meus amigos continuaram a tentar mas mais ninguém conseguiu tamanha proeza.

Ao sairmos do local numa grande galhofa ouvimos uma voz: “Ó miúdos, quem é que esteve a atirar pedras que me partiu o vidro do carro?”. Claro que não foi ninguém, mas ao aproximarmo-nos do carro (um carocha cinzento), lá estava o vidro partido e a célebre batatinha dentro do carro, em cima do banco de trás, com muitos grãos de vidro em pedacinhos à volta. As dúvidas desapareceram, a pedra-batatinha era a arma do crime. Fiquei algum tempo a pensar o que fazer quando a notícia chegasse a casa porque o dono do carro era conhecido dos meus pais. Optei então pela estratégia de entrar em casa a chorar e contar o que se passou à minha maneira e tudo se resolveu em bem. Tal como eu tinha previsto de manhã, este foi um dia bem diferente dos outros.

 
Jose Martins 1º BE

Diário: Malange 24 de Abril de 1993

Hoje é para mim o dia D! Digo isso porque desde que a Unita cercou Malange, as coisas têm-se complicado. Não temos abastecimento via terrestre para a nossa alimentação, os poucos produtos que há estão a ser vendidos a preços exorbitantes. A minha mãe está hospitalizada com o meu primo Joaquim a quem foi amputada a perna por causa de uma bomba que caiu em nossa casa. Já não temos casa, estamos hospedados na casa de um amigo, só nos resta refugiarmo-nos em Luanda onde estão os meus irmãos mais velhos.

Durante a semana tenho tentado embarcar em algum avião, mas não tenho conseguido porque há muita gente na mesma situação. O pior é que nem sempre temos voos porque a Unita já alvejou um dos aviões que vinha para cá. Ouvi dizer que este será o último voo para esta semana. Da minha parte já me sinto exausto de estar no sobe e desce com a bagagem; ora na cabeça, ora no ombro, por isso decidi que se não viajar hoje não volto mais ao aeroporto.

Depois de esperarmos o dia todo debaixo do sol ardente, por volta das 17 horas apareceu um voo de carga. Somos muitos os que queremos viajar e o avião não suportará esta gente toda. Para dentro do aeroporto não nos deixam entrar excepto os que têm conhecimentos. Como se não bastasse o preço do bilhete subiu e só vendem à porta do avião. O meu dinheiro já não é suficiente, por isso troquei em notas pequenas para fazer cinco maços e, por cima das pequenas, pus algumas notas grandes. Espero que passe!No meio de tanta ansiedade apareceu um vizinho meu que trabalha na segurança e entro sobe a sua influência. Toda a gente está eufórica porque vai chover e está a escurecer, ninguém cumpre a fila e os susus (soviéticos) não abrem a porta do avião. Por fim a polícia consegue organizar a fila. E quem entra primeiro? Os familiares dos senhores fulanos e sicranos; mas antes os carros desses mesmos senhores e, quando chega a nossa vez, a fila desorganiza-se novamente. Por fim consigo chegar à porta e entro, sinto-me alegre mas também angustiado porque não vejo o Morais, o colega que estava comigo. Passados cinco minutos o Morais entra e abraçamo-nos de tanta alegria. Os soviéticos fecham a porta e começamos a viagem, mas com muitas turbulências porque está muito vento e chuva.

O pessoal está irrequieto. Uns estão a gritar pensando que o voo vai cair, eu oro fervorosamente ao meu Deus, por fim tudo corre bem. Depois de aterrar fizemos uma fila para sair do aeroporto militar. Um dos polícias vê a minha mala e pergunta-me: "O que levas nesta mala? Estais a carregar pedra?". Eu respondo-lhe-lhe que é apenas roupa e algum material. Quando começa a complicar tiro uma lâmpada incandescente dou-lhe e ele deixa-me passar. Foi assim que consegui sair do aeroporto e estou finalmente em Luanda, são e salvo.

Pedro João
1º BE

Diário Fundão, Castelo Branco, 17/07/2000

Hoje acordei feliz! Vou para a piscina com os meus pais, irmã, primos, tios, avós... Enfim vai a família toda, estou contente porque isto só acontece duas vezes por ano (no Verão e no Natal). Hoje a minha mãe preparou sandes de atum e sumos de laranja.
A piscina era grande e tinha um grande relvado à volta. Nós instalámo-nos e eu quis ir logo para a água mas tive de esperar pela digestão. Pelo menos este ano já posso ir para a piscina dos grandes, porque já tenho tamanho  e já sei nadar.
A meio da tarde eu e o meu primo Damian, vimos entre o arvoredo o que parecia ser uma colmeia e decidimos atirar umas pedras... resultado, as abelhas vieram atrás de nós e a maior parte da familia foi obrigada a ir à água para não serem picados.
Resumindo,  no resto do dia eu e o meu primo ficamos de castigo!

Ricardo Chendo, 1º B.E

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Diário: Praia 25 de Agosto de 1980

Sábado 11h00. Hoje é o dia da minha 1ª comunhão, são 12h00 da tarde e estou a preparar o meu vestido novo para estrear, que a minha tia trouxe da Noruega e estou muito contente e ansiosa mas não gosto das sandálias que ela trouxe porque não combinam nadinha com a cor do vestido. A minha mãe e familiares estão na cozinha a preparar salgadinhos e bolos para uma pequena festa que vai haver mais tarde em conjunto com mais umas amigas que também vão fazer a 1ª comunhão juntamente comigo.
Neste momento estou ainda a brincar com as minhas colegas na rua porque a cerimónia será só a partir das 15h00. Bem, já são 13h00 e estou a tomar banho para me preparar para vestir o meu lindo vestido e as sandálias que não combinam com o vestido. A minha mãe está muito gira com os sapatos que pediu emprestados à cunhada dela. A minha irmã Edna está com o vestido cor-de-rosa que era meu mas já não me serve, a minha outra irmã Eneida ainda é bebé por isso não veio à igreja.
A cerimónia acabou e a sessão fotográfica também. Estamos todos sentados ao pé da árvore a ver as fotos que o meu tio tirou e a rir das poses de cada um, mas a cena mais engraçada do dia, a que eu acho que nunca mais vou esquecer na minha vida, é que estou aqui numa foto com meias quando eu só tinha as sandálias calçadas. A minha irmã está aqui a gozar comigo e a dizer que a máquina do meu tio até veste as pessoas e eu rio-me tanto que nem sequer me chateio por isso.
Hoje foi um dia de loucos, de diversão, cansaço, risos, e foi muito bom ter aqui em casa os meus tios e resto da família.
Já são 23h00 e já estamos todos na cama a descansar.
E assim foi a minha 1ª comunhão inesquecível por causa das meias fantasmas.



Carla Rodrigues  1º AL


Díario: S.Tomé 10 de Dezembro de 1990

 Está uma tarde muito bonita, o sol brilha cada vez mais. Eu estou muito feliz por ser o meu aniversário.
 0s meus pais organizaram uma festa para mim. Por volta das 15:00 começaram a chegar os convidados.
Tudo está arrumado e bonito, a casa está cheia de amigos e familiares, todos eles se divertem. É a festa dos meus 11 anos.
De repente, o meu pai pediu para a festa parar todo sorridente. A minha mãe está gravida do meu 3º irmão, ela está muito cansada mais eu não percebo porquê. O meu pai anunciou que o meu irmão vai nascer agora, logo o meu dia de anos. O meu pai seguiu com a minha mãe para o hospital. Pararam a música e nem os parabéns cantaram.
Afinal não foi o que aconteceu, ele nasceu no dia a seuir (11 de Dezembro de 1990). Foi triste perder a minha festa mas foi muito bom ganhar o meu irmão mais novo. Eu gosto muito dos meus irmãos, são muito importantes para mim.
AnaBela Silva 1AL